Não é muito difícil encontrar referências e símbolos iconográficos que fazem alusão ao Tarot em Igrejas que foram construídas na época do Renascimento. Mas será que existiu mesmo um Papa que estudou sobre o Tarot?

Conhecendo João Paulo II

João Paulo II, cujo nome de nascimento era Karol Józef Wojtyła, foi um papa da Igreja Católica Romana, servindo como o 264º Papa de 1978 até sua morte em 2005. Ele nasceu em 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, na Polônia, e foi ordenado sacerdote em 1946.

João Paulo II foi o primeiro papa não-italiano em mais de 450 anos e o primeiro papa polonês na história da Igreja Católica. Ele desempenhou um papel significativo em eventos históricos, como a queda do comunismo na Europa Oriental, sendo considerado uma figura influente na política mundial.

Durante seu pontificado, João Paulo II enfatizou a defesa dos direitos humanos, a paz mundial e o diálogo inter-religioso. Ele fez inúmeras viagens pastorais, visitando diversos países e sendo reconhecido como um líder carismático e eloquente.

Ele foi beatificado em 1º de maio de 2011 pelo Papa Bento XVI e canonizado em 27 de abril de 2014 pelo Papa Francisco. João Paulo II é lembrado como um dos papas mais populares e carismáticos da história, tendo deixado um legado duradouro na Igreja Católica e no mundo.

É ele quem aparece nesta curiosa e controversa foto que foi publicada na página 27 de um conhecido jornal alemão, o Weltbild, em 18 de novembro de 1988.

Na imagem, pode-se observar uma pilha de livros à sua frente.

À esquerda acima os livros que estão sobre a mesa, abaixo sua versão original e à direita o detalhe da mesa do Papa.

Apesar da falta de nitidez da foto, um olhar mais atento revela que, entre os volumes utilizados para elevar o microfone, há dois livros com o título Die Großen Arcana des Tarot, ou seja, a tradução alemã de uma edição que foi lançada anonimamente e postumamente em 1980, com o título Méditations sur les 22 Arcanes Majeurs du Tarot (em italiano, publicado como Meditazioni sui tarocchi. Un viaggio nell’ermetismo cristiano ou em português: Meditações sobre o Tarot: uma viagem no hermetismo cristão).

Meditações sobre o Tarot: uma viagem no hermetismo cristão

Naturalmente, ninguém pode ter certeza se o Papa polonês realmente leu ou mesmo demonstrou algum interesse por um livro de Tarot. No entanto, é também verdade que dificilmente poderíamos afirmar o contrário.

Além dessas suposições, o sucessor de João Paulo II – Joseph Ratzinger – não apenas conheceu a existência da obra nos anos em que ocupou o cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, como também acredita-se que ele tenha incentivado sua tradução para o russo.

A história não termina por aqui

Por mais que isso parece uma trama romanesca com com tons religiosos, esotéricos e misteriosos, esta história é marcada por outra informação interessante: o prefácio da edição alemã da obra foi escrito por Hans Urs von Balthasar, famoso teólogo suíço, jesuíta, cuja vasta produção literária frequentemente foi alvo de muitas polêmicas.

Segundo Tomberg, a ciência não era nada mais do que a mente humana, fruto de uma única substância – material – que, por meio da experiência de seus próprios erros, chegou a compreender o mundo, e por isso se identificava em uma missão universal e civilizadora.

Von Balthasar foi considerado um dos precursores do Concílio Vaticano II, para o qual, aliás, não foi convidado. Ele era um dos especialistas em teologia mais influentes da Europa Central, mas foi privado de ensinar, sendo reabilitado somente em idade avançada, graças à intervenção de João Paulo II, que o ordenou cardeal.

Infelizmente, ele veio a falecer misteriosamente dois dias antes do consistório, de 26 de junho de 1988, antes de receber a berretta).

“Hoje não há mais uma pessoa razoável que reze; a era da contemplação passou, agora há a ação: o homem assume não apenas a administração de seu mundo, mas também de si mesmo, e faz de si o que deseja”.

Hans Urs von Balthasar

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