Você já percebeu que o mundo digital é repleto de pessoas normais contando histórias de heróis, heroínas, sábios e bobos da corte, os tais arquétipos?

E se eu te contar que o que eles fazem é utilizar representações específicas para moldar suas identidades online e criar um storytelling que vai trazer identificação, desejo ou ainda retenção ao conteúdo que disponibilizam online?

Neste artigo, a gente vai falar sobre arquétipos para que você conheça estes padrões universais e para que possa utilizá-los em sua vida como forma de reconhecer sua própria jornada pessoal, assim como acontece nas cartas do tarot, ou ainda para ter mais conhecimento para identificar estes padrões ao seu redor.

A gente vai começar definindo o que são arquétipos e em seguida entrar em cada um deles. Na descrição do vídeo, eu vou deixar o time code, ou seja, o tempo de cada ponto principal deste vídeo para que você possa voltar neste conteúdo e encontrar facilmente cada arquétipo para consulta futura.

Se você preferir assistir este conteúdo em VÍDEO, basta clicar na imagem abaixo:

Mas afinal, o que são arquétipos?

Arquétipos são imagens, ideias ou símbolos que são compartilhados por pessoas de todas as culturas e épocas. Eles são considerados padrões universais da mente humana que representam emoções, comportamentos e experiências comuns.

O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung foi o primeiro a usar o termo “arquétipo” para descrever esses padrões. Sua abordagem para entender a psique humana enfatizava a importância de elementos universais e simbólicos presentes no inconsciente coletivo.

A teoria dos arquétipos de Carl Jung começou a se desenvolver ao longo das primeiras décadas do século XX e foi apresentada em suas obras ao longo desse período. Jung era um contemporâneo e colaborador inicial de Sigmund Freud, o fundador da psicanálise. No entanto, as divergências teóricas e filosóficas levaram à separação de Jung de Freud.

Em 1934, Jung escreveu o livro “Arquétipos e o Inconsciente Coletivo” (“Archetypes and the Collective Unconscious”). Neste livro, Jung explora a presença de padrões simbólicos universais no inconsciente coletivo, que ele via como herdados e compartilhados por toda a humanidade.

Ele argumentava que essa camada da nossa consciência continha elementos inatos e universais, incluindo arquétipos, emoções e comportamentos.

Ele via os arquétipos como uma herança psicológica, resultante das experiências de milhares de gerações de seres humanos no enfrentamento das situações cotidianas.

A teoria dos arquétipos foi integrada à prática terapêutica de Jung, conhecida como Psicologia Analítica. Para ele a integração consciente dos arquétipos poderia levar a uma maior compreensão do self e à individuação, um processo de tornar-se a pessoa única que cada indivíduo é destinado a ser. Uma citação famosa de Jung diz que: “a primeira metade das nossas vidas é dedicada a formar um ego saudável, a segunda metade é dedicada a se voltar para dentro e se livrar dele”.

Neste contexto, os arquétipos tornam-se representações simbólicas de temas universais, como nascimento, morte, amor, heróis, vilões, entre outros. E assim, eles vão se repetindo e se manifestando em mitos, contos de fadas, religiões e até mesmo em sonhos individuais.

Agora eu mostrar cada um destes arquétipos identificados por Jung:

O herói: 

O arquétipo do herói é frequentemente associado à jornada heróica, na qual o protagonista embarca em uma jornada desafiadora, enfrenta obstáculos, supera adversidades e retorna transformado. Essa narrativa reflete o processo de crescimento pessoal e autodescoberta.

Dentre as Características do Herói destacam-se a coragem já que O herói enfrenta o desconhecido com coragem, muitas vezes com perigos físicos e psicológicos.

Determinação quando o herói é motivado por uma determinação firme para alcançar seus objetivos.

Altruísmo: já que muitas vezes, o herói age em benefício dos outros, mostrando compaixão e empatia.

E moralidade: encarnando valores morais e representando o que é certo e ético.

Aqui a gente não pode deixar de pensar na figura do Mago e do Imperador no Tarot.

Claro que já deu para imaginar um monte de história de influencers que tiveram que enfrentar perigos ou dificuldades com coragem e determinação e que hoje ajudam outras pessoas e compartilham seus valores elevados, certo?

Exemplos de heróis arquetípicos incluem Perseu, Moisés e Jesus Cristo. Já na literatura, podemos falar da Comedia de Dante e também do livro História sem fim.

O arquétipo do sábio, mentor ou guia:

O herói muitas vezes recebe orientação de um mentor, guia ou sábio que fornece conselhos e sabedoria necessários para a jornada.

Este personagem possui possui conhecimento e sabedoria. Ele valoriza a sabedoria e está sempre empenhado em aprender e compreender o mundo ao seu redor.

Frequentemente, o sábio desempenha o papel de mentor ou guia na jornada do herói. Ele oferece conselhos, sabedoria e insights valiosos para aqueles que estão em busca de compreensão e crescimento.

O sábio também representa a busca pela sabedoria interior. Ele reconhece a importância da introspecção e da compreensão profunda de si mesmo. Essa sabedoria interior muitas vezes é compartilhada para orientar os outros em suas próprias jornadas.

Em algumas tradições mitológicas e culturais, o sábio está conectado à natureza. Ele pode ser visto como alguém que compreende os ciclos naturais, os segredos da terra e as leis cósmicas.

Alguns símbolos frequentemente associados ao arquétipo do sábio incluem o livro (representando conhecimento), a coruja (simbolizando sabedoria) e a barba (um traço frequentemente atribuído a figuras sábias em várias culturas). Ele é frequentemente retratado como alguém de presença tranquila e serena.

Claro que aqui a gente não pode deixar de pensar na figura do Hierofante e do Eremita no Tarot.

Exemplos de sábios arquetípicos incluem Merlin, Sócrates, Buda e até mesmo o famoso Mestre dos Magos da Caverna do Dragão. Se você já fez uma consulta astrológica comigo, com certeza conhece a minha analogia entre o mestre dos magos e nosso planeta regente.

Nas redes sociais, este arquétipo é bastante utilizado em perfis que falam sobre espiritualidade, rituais, terapias, atividades físicas de origem oriental e outras práticas místicas.

O bobo da corte:

O bobo da corte é um personagem alegre, brincalhão e que não leva a vida muito a sério.

Ele frequentemente inverte ou desafia as normas sociais e as hierarquias estabelecidas. Suas ações aparentemente tolas muitas vezes têm um propósito mais profundo de questionar o status quo e revelar a hipocrisia.

Ele é conhecido por seu humor muitas vezes expresso por meio de sátira e usa o riso como uma ferramenta para expor verdades ocultas ou desconfortáveis de uma maneira que pode ser mais palatável para o público.

Sua posição social muitas vezes lhe dá uma “licença” para criticar ou comentar sobre questões que outros podem evitar.

Em algumas culturas históricas, o bobo da corte era um conselheiro próximo da realeza. Sua presença humanizava os líderes, lembrando-os de sua própria humanidade e das complexidades da vida.

O bobo da corte muitas vezes veste roupas coloridas e exageradas, destacando-se da norma. Sua aparência é uma expressão visual de sua função social única.

Exemplos de bobos da corte arquetípicos incluem Pôncio Pilatos, o Gato de Cheshire, o Chapeleiro Maluco e claro diversos programas de televisão que satirizam questões do nosso cotidiano através do humor.

Nas redes sociais, o bobo da corte é muitas vezes representado em memes e sátiras de humor.

Já no Tarot, podemos pensar no Louco que também tem características do arquétipo do Herói.

A mãe: 

A mãe traz o arquétipo de uma figura que representa o amor, a proteção e o cuidado.

Ela é frequentemente associada à fertilidade e à energia criativa. Isso não se limita apenas à criação de filhos, mas se estende à criatividade em geral, seja na forma de projetos artísticos, ideias ou empreendimentos.

Em muitas culturas, a Mãe Terra é um aspecto do arquétipo da mãe. Ela é vista como a fonte da vida, sustentando e alimentando tudo o que vive.

Alguns símbolos frequentemente associados ao arquétipo da mãe incluem o seio (como símbolo de nutrição), a lua (representando ciclos femininos) e figuras mitológicas como Gaia ou Ísis.

A mãe também é frequentemente associada aos ciclos da vida, desde a concepção e nascimento até a morte e renascimento, trazendo analogias aos arquétipos astrológicos da Lua e de Plutão.

O arquétipo da mãe está ligado ao inconsciente feminino e às energias femininas. Representa uma expressão simbólica da Grande Mãe, uma figura arquetípica que transcende as mães individuais e representa a totalidade feminina.

Exemplos de mães arquetípicas incluem Maria, a Mãe Terra e diversas histórias retratadas no livro Mulheres que correm com os lobos. Se você ainda não viu essa serie, te convido inclusive a assistir depois deste conteúdo.

Já no Tarot, podemos pensar na carta da Imperatriz, da Sacerdotisa e da Lua.

O pai: 

O pai traz o arquétipo de uma figura que representa a autoridade, a força e a orientação.

O arquétipo do pai também está relacionado à disciplina e à função educacional. Ele é o transmissor de valores, regras e conhecimento para o desenvolvimento moral e intelectual dos filhos.

Em muitas culturas, o pai é visto como o provedor da família, responsável por sustentar materialmente e oferecer estabilidade financeira. Ele pode inclusive incorporar ideias tradicionais sobre o que significa ser um homem.

Algumas imagens associadas ao arquétipo do pai incluem a figura de um rei, um sábio mentor ou mesmo o trabalhador diligente que sustenta a família.

Nas redes sociais, este arquétipo é bastante utilizado por homens que se colocam na posição de provedores familiares e que fazem questão de compartilhar momentos em família mostrando seu poder e recursos materiais.

Exemplos de pais arquetípicos incluem Zeus, o Rei Lear e o Homem de Ferro.

No Tarot, podemos pensar novamente no Imperador e também a carta da Força.

A Sombra:

Em muitas histórias, o herói encontra uma figura ou força antagonista, conhecida como a “sombra”, que representa os aspectos mais sombrios, obscuros, reprimidos e desafiadores da psique, incluindo características, desejos e impulsos que uma pessoa não reconhece conscientemente em si mesma.. Este arquétipo é frequentemente representado por um vilão ou adversário.

A sombra muitas vezes consiste em aspectos que foram negados, rejeitados ou reprimidos pela consciência. Esses aspectos podem incluir emoções, desejos, qualidades ou traços de personalidade considerados socialmente inaceitáveis ou moralmente questionáveis.

Este arquétipo pode ser visto em níveis pessoais e coletivos. A sombra pessoal refere-se aos aspectos individuais reprimidos, enquanto a sombra coletiva envolve aspectos mais amplos compartilhados por grupos ou sociedades.

Apesar de seu aspecto muitas vezes negativo, a sombra também pode conter elementos de potencial criativo e vitalidade. Integrar a sombra pode levar a uma compreensão mais profunda de si mesmo e a uma maior autenticidade.

A falta de consciência da sombra pode levar a conflitos internos e comportamentos inconscientes. Aceitar e integrar a sombra é visto como essencial para uma psique saudável. E claro, aqui a gente pode fazer uma relação com o arquétipo astrológico de Vênus, quando planeta regente de Libra.

A sombra é frequentemente representada em mitos, contos de fadas e obras de arte como um dragão, monstro ou figura obscura. Enfrentar ou confrontar essa figura muitas vezes simboliza a jornada de crescimento pessoal.

Nas histórias, podemos falar da madrasta má, o lobo mau ou o Vingador. Nas redes sociais, muitas vezes vemos “o sistema” como sendo reconhecido como a sombra coletiva ou ainda políticos, bancos e outros organismos que limitam ou criam regras diante da liberdade individual.

A Anima ou Animus:

O Arquétipo da anima ou animus representa o aspecto feminino na psique masculina (anima) e o aspecto masculino na psique feminina (animus).

A anima é a representação interna da feminilidade no psiquismo masculino. Ela personifica as características e qualidades femininas que estão no inconsciente de um homem.

A integração da anima é vista como uma parte importante do desenvolvimento psicológico de um homem. A qualidade da relação de um homem com sua anima pode influenciar suas relações com mulheres no mundo exterior. Uma anima integrada pode levar a relacionamentos mais saudáveis e equilibrados.

Já o animus é a representação interna da masculinidade no inconsciente de uma mulher. Ele personifica as características e qualidades masculinas que estão no inconsciente feminino.

A qualidade da relação de uma mulher com seu animus pode influenciar sua interação com homens no mundo exterior. Assim como acontece no caso da anima, uma integração saudável do animus pode contribuir para relacionamentos mais equilibrados.

A Jornada do Herói

Como a gente viu, os arquétipos são encontrados em todas as formas de arte e cultura, incluindo mitologia, religião, literatura, cinema e música. Eles também são usados ​​na terapia e no marketing.

No ano de 1949, Joseph Campbell escreveu o livro “O Herói de Mil Faces” (em inglês, “The Hero with a Thousand Faces”).

Neste livro, Campbell apresenta sua teoria da Jornada do Herói, explorando padrões recorrentes em mitos, contos e tradições culturais de todo o mundo.

A obra é um marco significativo na análise comparativa de mitologia e influenciou profundamente áreas como literatura, cinema, psicologia e estudos culturais nos anos subsequentes, fazendo com que o livro continue sendo referência.

O contexto histórico desse período é relevante para entender as influências e o impacto de seu trabalho. A década de 1940 foi marcada pelo pós-Segunda Guerra Mundial, uma época de significativas transformações culturais e sociais.

Criadores como George Lucas, o cineasta por trás de “Star Wars” e diversos roteiristas de filmes da Disney e Pixar, foram notavelmente influenciados pelas ideias de Campbell ao criar suas próprias narrativas épicas.

“O Herói de Mil Faces” continua sendo uma obra significativa no estudo da mitologia comparativa e dos arquétipos, explorando a universalidade dos mitos e destacando os padrões subjacentes que conectam as histórias humanas em diferentes culturas ao longo do tempo.

A “Jornada do Herói” e os arquétipos desenvolvidos por Carl Jung têm conexões profundas e influências mútuas e o livro acaba sendo uma leitura complementar ao estudo dos arquétipos.

Se de um lado Jung propôs a existência do inconsciente coletivo, que contém elementos compartilhados pela humanidade, A Jornada do Herói é uma narrativa que, em muitos aspectos, reflete temas universais presentes nesse inconsciente coletivo. Enquanto Jung identificou arquétipos como padrões simbólicos universais, Campbell incorporou o herói, o mentor e a sombra em seu livro.

A Jornada do Herói é uma narrativa de autodescoberta, onde o protagonista enfrenta desafios para alcançar transformação pessoal assim como Jung acreditava na busca de individuação como um processo de desenvolvimento pessoal.

Assim tanto a Jornada do Herói quanto os Arquétipos de Jung oferecem lentes complementares para entender a busca humana por significado e transformação.

Jung acreditava que o reconhecimento e a integração dos arquétipos na vida de uma pessoa eram essenciais para o desenvolvimento psicológico e o equilíbrio emocional. Ignorar ou reprimir certos arquétipos poderia levar a conflitos internos.

Na terapia, os arquétipos podem ser usados ​​para ajudar as pessoas a compreender suas emoções e comportamentos.

No marketing, eles criam personagens e histórias que ressoam com os consumidores e criem identificação ou desejo.

Nas redes sociais, muitas pessoas aprenderam a utilizar os arquétipos de forma manipuladora ou ainda compartilham suas histórias sem perceber o quanto estão conectadas com eles.

Algumas pessoas usam arquétipos relacionados à criatividade, apresentando-se como artistas, escritores, músicos ou outros tipos de criadores. Casais podem usar arquétipos de “par romântico” para apresentar uma narrativa de amor nas redes sociais.

Já outras pessoas usam arquétipos que desafiam as normas sociais, expressando uma identidade rebelde ou um espírito livre. Outros usam arquétipos relacionados ao autoconhecimento, destacando suas jornadas de crescimento pessoal, espiritualidade ou busca por significado.

E por ultimo, o arquétipo mais conhecido do mundo dos likes é aquele do herói.

A historia de alguém que passou por muitas dificuldades e desafios, superou obstáculos, venceu e agora quer te ajudar a viver a mesma jornada.

Por mais que a gente tente fugir dos arquétipos, eles são universais.

Saber mais sobre eles é ter em mãos uma ferramenta poderosa que pode nos ajudar a compreender melhor a nós mesmos e o mundo ao nosso redor.

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E assim, seguiremos juntas nesta busca de transformar chumbo em ouro.