O estoicismo é uma antiga escola de filosofia fundada na Grécia, por Zenão de Cítio, por volta do século III a.C.

Os estoicos acreditavam que as pessoas deveriam viver de acordo com a natureza e aceitar o que não podem controlar, buscando a sabedoria para distinguir entre o que está em seu poder e o que não está.

Eles enfatizavam a importância do autocontrole, da virtude, da coragem e da justiça, e também promoviam a ideia de viver de acordo com a razão e não ser perturbado pelas emoções ou pelas circunstâncias externas.

Ao adotar uma perspectiva mais ampla e tranquila sobre a vida, os estoicos acreditavam que se podia alcançar a felicidade e uma vida mais plena.

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Quem eram os estóicos?

Os grandes nomes que representam este conhecimento são Zenão de Cítio e Epiteto.

Zenão de Cítio foi um filósofo grego que viveu por volta do século IV e III a.C., e é conhecido por ter fundado a escola filosófica do estoicismo. Ele nasceu na cidade de Cítio, localizada na ilha de Chipre, e mais tarde mudou-se para Atenas, onde começou a ensinar filosofia em torno de 300 a.C.

Zenão desenvolveu e sistematizou os princípios fundamentais do estoicismo, influenciado por várias escolas filosóficas da época, incluindo o estoicismo anterior, o cinismo e a filosofia platônica. Ele ensinou em um pórtico (conhecido como stoa, o que deu origem ao nome de sua escola filosófica, o estoicismo.

A filosofia de Zenão e dos estoicos subsequentes enfatizava a importância do autocontrole, da serenidade diante das adversidades, da busca pela virtude e da aceitação do destino como parte da ordem natural do universo.

Já Epíteto também conhecido como Epicteto, foi um filósofo estoico de destaque, nascido por volta do ano 50 d.C. na Frígia (atual Turquia) e falecido cerca de 135 d.C. Ele foi um dos principais expoentes do estoicismo durante o período romano.

Epiteto foi um escravo que, ainda jovem, foi libertado pelo seu mestre. Ele estudou filosofia sob a orientação do filósofo estoico Musônio Rufo e, mais tarde, começou a ensinar filosofia em Roma, onde ganhou reputação como um notável professor.

Sua filosofia enfatizava a importância do autocontrole, da aceitação serena das circunstâncias da vida e do desenvolvimento da virtude como meio de alcançar a felicidade e a tranquilidade interior. Epiteto é conhecido principalmente por “Discursos” (ou “Diatribes”) e pelo “Encheirídion”, também conhecido como “Manual de Epiteto”, que são coleções de ensinamentos estoicos que oferecem conselhos práticos para viver uma vida virtuosa.

Qual a importância do estoicismo?

O estoicismo teve grande influência ao longo da história, especialmente no período romano, e continua a ser estudada e praticada até hoje.

Através do estoicismo, aprendemos a teoria da responsabilidade. Esta teoria está intimamente ligada ao conceito de “aquilo que está em nosso poder” (ta eph’ hêmin, em grego) e “aquilo que não está em nosso poder”. De acordo com os estoicos, somos responsáveis apenas pelo que está em nosso poder, ou seja, nossas ações, escolhas, pensamentos e julgamentos. Eventos externos, circunstâncias e as ações dos outros, estão fora do nosso controle e, portanto, não devemos nos preocupar com eles.

Essa ideia implica que devemos nos concentrar no que podemos influenciar diretamente e aceitar com serenidade aquilo que não podemos controlar. Assumir essa responsabilidade significa agir com virtude, praticar a razão e viver de acordo com os princípios éticos estoicos, mesmo diante das adversidades.

Em outras palavras, aceitar como as coisas acontecem em nossas vidas, nos torna seres livre.

A Lei do Encadeamento Causal

A lei do encadeamento causal, também conhecida como “lei do destino” ou “lei da causalidade”, se baseia na ideia de que todos os eventos estão interligados por uma cadeia de causas e efeitos. De acordo com os estoicos, esse encadeamento causal é uma manifestação da ordem natural do universo, regida pela razão divina ou pelo Logos.

Essa lei implica que tudo o que acontece, desde os eventos mais insignificantes até os mais significativos, ocorre de acordo com uma sequência lógica e inevitável de causas e consequências. Nada acontece por acaso ou por capricho divino. Em vez disso, cada evento é uma parte integrante de um grande esquema ordenado e racional.

Para os estoicos, compreender e aceitar essa lei do encadeamento causal é fundamental para alcançar a tranquilidade interior e a serenidade diante das adversidades da vida. Ao reconhecer que tudo está interligado e que os eventos estão fora de nosso controle, somos encorajados a aceitar as circunstâncias com equanimidade e a focar no que está em nosso poder: nossas ações, escolhas e atitudes.

O livre arbítrio para os Estoicos

A visão dos estoicos sobre o livre arbítrio é complexa e sutil. Eles reconhecem a existência do livre arbítrio, mas também enfatizam a ideia de que ele é limitado pela natureza e pela ordem do universo, assim como acontece com a astrologia. Em outras palavras, assim como aprendemos quando estudamos astrologia, os astros inclinam, mas não determinam.

Assim, embora os estoicos defendessem o livre arbítrio, eles também enfatizavam a noção de que os eventos estão interligados por uma cadeia de causas e efeitos, regida pela ordem natural do universo. Isso significa que, embora tenhamos a capacidade de fazer escolhas, essas escolhas são influenciadas por fatores externos e por nossa própria natureza. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que temos a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões conscientes, uma razão divina impõe uma ordem e uma harmonia inerentes a todas as coisas, incluindo as ações humanas.

Para os estóicos, o cosmos é um teatro onde todos nós temos um papel a representar no mundo. Por isso, o melhor a fazer é representar esse papel da melhor forma possível.

O imperador romano Marco Aurelio é frequentemente associado com o estoicismo pois foi um estudante e praticante dedicado dessa filosofia.

Durante sua vida, Marco Aurélio escreveu um conjunto de reflexões e princípios pessoais, conhecidos como “Meditações”. Nessas Meditações, ele registrou seus pensamentos sobre ética, virtude, dever e a natureza do universo. Sua filosofia era profundamente influenciada pelo estoicismo, e ele frequentemente recorria a ideias estoicas para orientar suas ações e pensamentos.

Em suas Meditações, Marco Aurélio reflete sobre conceitos estoicos como aceitação do destino, autodisciplina, autocontrole e o dever de agir com virtude.

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“A felicidade não depende daquilo que nos rodeia, mas do que se passa dentro de nós.” – Marco Aurélio