“O conhecimento é como a riqueza: destinado ao uso”. – O Caibalion. Esta é apenas uma das inúmeras frases de grande profundidade que encontramos no Caibalion, um livro sobre hermetismo que tem ficado cada vez mais famoso de alguns anos para cá, mas que na verdade tem sua origem no século passado. Ainda que esteja escrito em toda parte, o livro foi propositalmente velado com termos de alquimia e astrologia, de modo que só os que possuem a chave podem lê-lo bem.

E é sobre ele que a gente vai falar falar por aqui.

O “Caibalion” é um livro que apresenta os princípios fundamentais da filosofia hermética.

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O que é o hermetismo?

O hermetismo é uma tradição esotérica que se baseia nos ensinamentos atribuídos a Hermes Trismegisto, uma figura mítica que supostamente combinou características do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth. Trismegisto  significa três vezes grande e é um nome considerado sinônimo de sabedoria. A palavra “hermetismo” refere-se às práticas e ensinamentos associados a essa tradição.

Os hermetistas são os antigos alquimistas, astrólogos e psicologistas. Da astrologia nasceu a moderna astronomia, da alquimia nasceu a moderna química e da psicologia mística nasceu a moderna psicologia clínica. Os hermetistas buscam um conhecimento esotérico ou interior que vá além da compreensão comum. Isso pode incluir a exploração da natureza da mente, da consciência e da relação entre o microcosmo individual e o macrocosmo universal.

E é do hermetismo também que vem uma palavra que vez ou outra usamos no nosso dia a dia:  hermético, quando dizemos que um compartimento foi hermeticamente fechado. O termo hermético vem do sentido de secreto, fechado de tal maneira que nada escapa.

O núcleo dos ensinamentos herméticos inclui princípios filosóficos, místicos e alquímicos que foram transmitidos através de escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, muitos dos quais foram compilados na obra “Corpus Hermeticum”. O Corpus Hermeticum é composto por textos escritos em grego e datados entre os séculos II e III d.C. e contém ensinamentos sobre a natureza da realidade, a relação entre o divino e o humano, e a busca pela imortalidade.

A tradição hermética está intimamente ligada à alquimia, uma prática antiga que tem raízes no antigo Egito e que  envolve a busca pela transmutação espiritual e material. Acreditava-se que os alquimistas herméticos buscavam transformações nos metais (a transmutação de chumbo em ouro, por exemplo). Mas a verdade é que eles buscavam fundamentalmente a transformação da alma humana.

A prática alquímica era baseada na crença de que existia um princípio ativo oculto em todos os seres vivos e materiais, conhecido como “prima materia”, que poderia ser transformado em outras substâncias.

Voltando ao Caibalion, Muitas pessoas acreditam que foi Hermes Trismegisto que também escreveu o Caibalion, mas este livro foi publicado no início do século XX sob o pseudônimo dos “Três Iniciados”, e sua autoria real é desconhecida.

O Caibalion é estruturado em torno de sete princípios herméticos, que são ideias fundamentais dentro da tradição hermética e alquímica.

O Princípio do Mentalismo:

Este princípio é expresso na afirmação: “O Todo é Mente; o Universo é Mental.”

O Princípio de Mentalismo sugere que a natureza fundamental do universo é mental, isto é, que a mente é a substância primordial da qual todas as coisas são feitas. Em vez de considerar o mundo como puramente físico, o hermetismo enfatiza a importância da mente e da consciência.

“O Todo” refere-se à totalidade do universo, a força criativa fundamental que está além da compreensão humana completa. É considerado a fonte de todas as coisas e a mente primordial que permeia toda a existência.

Uma interpretação desse princípio sugere que o universo pode ser concebido como uma vasta mente cósmica. Isso implica que tudo o que existe é uma manifestação dessa mente única e que toda a realidade é, em última instância, uma expressão do pensamento universal.

A ideia subjacente é que a mente é criativa e que a criação ocorre por meio do pensamento. Nesse contexto, a realidade física que experimentamos é considerada uma manifestação da mente cósmica, um resultado do pensamento criativo. Para muitos filósofos, tudo o que existe no mundo físico, precisou antes passar pelo plano mental ou plano das ideias. Em outras palavras, uma cadeira existiu antes no plano imaginário de alguém para que somente depois fosse criada e materializada no plano físico.

Para os praticantes do hermetismo, esse princípio tem implicações profundas para a compreensão da realidade individual. Se o universo é mental, então a mente humana, de alguma forma, reflete essa mente universal. O autoconhecimento e a compreensão da mente individual tornam-se essenciais então para entender e moldar a experiência da realidade.

O Princípio de Mentalismo também sugere uma profunda interconexão entre todas as coisas, uma vez que todas as coisas são consideradas manifestações de uma única mente. Essa ideia ressoa com conceitos filosóficos e espirituais que enfatizam a unidade subjacente de toda a criação.

O Princípio de Correspondência:

“O que está acima é como o que está abaixo, e o que está abaixo é como o que está acima.”

Este princípio destaca a ideia de que há uma correspondência ou uma analogia, entre diferentes planos de existência. O que ocorre em um nível mais elevado ou mais amplo tem uma relação correspondente com o que ocorre em um nível inferior ou mais específico.

O Princípio da Correspondência sugere que há padrões universais e leis que se repetem em todos os níveis da existência. Isso pode ser observado na natureza, na matemática, nas relações humanas e em outros aspectos da vida. Suas aplicações práticas em várias áreas, incluem a astrologia (onde se acredita que os movimentos dos planetas correspondem a eventos na Terra), a alquimia (onde há correspondência entre processos químicos e espirituais) e a magia cerimonial (onde símbolos e rituais são usados para influenciar eventos correspondentes).

Na astrologia, o mapa natal de uma pessoa é considerado um microcosmo refletindo as posições dos planetas, estrelas e outros elementos celestes no momento do seu nascimento.

Os ciclos dos planetas também têm correlações com padrões e desafios percebidos na Terra. Esse alinhamento é interpretado à luz do Princípio da Correspondência, sugerindo que o que ocorre no céu reflete ou influencia o que acontece na Terra. Por isso, como diria Dane Rudyard: a astrologia é uma linguagem, quando você entende esta linguagem, o céu fala com você.

O princípio enfatiza a unidade e interconexão entre todos os aspectos da criação. Isso sugere que, ao compreender um nível de existência, podemos ganhar insights sobre outros níveis, permitindo uma visão mais holística do universo.

O Princípio de Vibração:

Este princípio é expresso pela afirmação: “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.”

O Princípio de Vibração sugere que a base da realidade é a vibração. Tudo no universo está em constante movimento, desde as partículas subatômicas até os corpos celestes. Nada está verdadeiramente imóvel.

A ideia subjacente é que a vibração está relacionada à energia e à frequência. Coisas que percebemos como sólidas e estáticas estão, na verdade, vibrando em níveis microscópicos.

O princípio sugere que a vibração também tem implicações nas experiências perceptíveis. As emoções, pensamentos e até mesmo as circunstâncias da vida podem ser entendidos em termos de vibrações em diferentes frequências.

O Princípio de Vibração é frequentemente aplicado na espiritualidade e na metafísica. Algumas tradições acreditam que ele pode ser usado para explicar estados de consciência elevados, meditação, cura energética e práticas similares.

O Princípio de Vibração tem implicações em várias disciplinas, desde a física quântica até a espiritualidade. Nas disciplinas mais esotéricas, como a numerologia e a astrologia, as vibrações são frequentemente associadas a números e planetas.

O Princípio de Polaridade:

Esse princípio é expresso pela afirmação: “Tudo é duplo, tudo tem polos; tudo tem seu par de opostos; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.”

O Princípio de Polaridade destaca a dualidade inerente em todas as coisas. Tudo possui polos opostos que fazem parte da natureza essencial daquilo que é observado.

Esse princípio sugere que os opostos são, de certa forma, interdependentes e complementares. Para entender plenamente algo, é necessário compreender seus polos opostos. Tudo existe e não existe ao mesmo tempo, todas as verdades são meias verdade.

Na natureza, vemos exemplos claros de polaridade, como luz e escuridão, calor e frio, amor e ódio. Essas dualidades não são apenas conceitos abstratos, mas realidades que se manifestam em nossa experiência diária.

Na astrologia, vemos os opostos através dos eixos astrológicos. Ou seja, se nosso sol está iluminando um lado do mapa, significa que do outro lado temos a sombra, algo que podemos não estar vendo e que pode trazer respostas sobre como ter equilíbrio naquele eixo. Ler um mapa natal através dos eixos traz muita profundidade para uma consulta já que podemos identificar exatamente o que falta para a consulente equilibrar seu eixo.

O princípio da polaridade destaca tambem que os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Por exemplo, a temperatura é uma escala contínua de quente para frio, e não categorias separadas.

O Princípio de Polaridade está relacionado ao equilíbrio e à busca pela harmonia. Compreender e equilibrar as polaridades é considerado essencial para alcançar a verdadeira compreensão e harmonia na vida.

O Princípio de Ritmo:

Esse princípio é expresso pela afirmação: “Tudo flui, para dentro e para fora; tudo tem suas marés; todas as coisas aumentam e diminuem. O compasso do balanço é a medida do ritmo compensado.”

O Princípio de Ritmo destaca que tudo no universo está em constante movimento. Não há estagnação; há um fluxo constante de mudança e transformação.

Este princípio sugere que o movimento segue padrões cíclicos. A vida está cheia de ciclos e ritmos, desde os ciclos diários até os ciclos sazonais e cósmicos. Tudo tem seu próprio ritmo e fluxo.

No tarot, este princípio pode ser identificado pela carta da roda da fortuna, que mostra que a vida é feita de altos e baixos que não podemos evitar. A Roda da Fortuna representa a ideia de ciclos na vida, simbolizando mudanças inevitáveis e eventos que estão fora do controle humano.

A carta frequentemente mostra figuras ascendendo ou descendendo na roda. Em certos momentos, estamos no topo da roda, experimentando sucesso e boa fortuna, enquanto em outros momentos podemos estar na parte inferior, enfrentando desafios

A Roda da Fortuna muitas vezes também simboliza eventos que estão além do controle humano, ressaltando a inevitabilidade de certas mudanças, assim como a carta da Torre, que mostra que surpresas (ou o raio que vemos em muitas representações) fazem parte da vida.

Na astrologia, o principio de ritmo pode ser representado por nossa revolução solar. A cada ano, no nosso aniversário iniciamos uma nova revolução solar marcada justamente pelo momento em que o sol que está no céu encontra-se na mesma posição em que estava no momento em que nascemos. A partir daí, temos mais uma oportunidade em vida de passar por toda a mandala astrológica, ou seja, os 12 arquetipos do zodíaco até uma nova revolução. Por isso, celebrar seu aniversário é celebrar o princípio do ritmo.

O Princípio de Ritmo ressalta a natureza inevitável da mudança. Nada permanece o mesmo, e a aceitação dessa constante evolução é crucial para compreender a natureza da realidade.

O entendimento e a aceitação desses ritmos são essenciais para encontrar equilíbrio na vida. Se uma pessoa compreende e se adapta aos ritmos naturais, ela pode encontrar maior estabilidade emocional e espiritual.

O Princípio de Causa e Efeito:

A expressão-chave associada a este princípio é: “Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa.”

Este princípio sugere que para cada evento (chamado aqui de efeito) há uma causa anterior que o gerou. Da mesma forma, toda causa leva a efeitos ou eventos específicos.

O Princípio de Causa e Efeito é fundamental para muitas leis naturais e científicas. Na física, por exemplo, a Terceira Lei de Newton (ação e reação) é uma expressão desse princípio. Também é fundamental em campos como a psicologia, onde ações e pensamentos têm consequências.

O Princípio de Causa e Efeito destaca a responsabilidade individual. Nossas escolhas e ações têm efeitos, e compreender isso é central para a noção de livre arbítrio. Consciente ou inconscientemente, somos responsáveis pelos resultados de nossas ações.

O Princípio de Causa e Efeito também pode ser aplicado à compreensão dos padrões de comportamento. Se um padrão indesejado está se repetindo, precisamos alterar a maneira como lidamos com ele para que os resultados, ou efeitos, sejam diversos.

Na vida cotidiana, o Princípio de Causa e Efeito é frequentemente aplicado na tomada de decisões. Ao considerar as possíveis consequências de uma ação, podemos fazer escolhas mais informadas e conscientes.

O Princípio de Gênero:

Este princípio é expresso pela afirmação: “O gênero está em tudo; tudo tem seus princípios masculino e feminino; o gênero se manifesta em todos os planos da criação.”

O Princípio de Gênero destaca a dualidade inerente em todas as coisas. É vital notar que o Princípio de Gênero não se limita a questões biológicas. Ele transcende a dualidade biológica (ou ainda multiplicidade, de acordo com estudos contemporâneos) e se refere a aspectos mais amplos e arquetípicos do masculino e feminino que coexistem em todos os seres e coisas, referindo-se a presença de polaridades opostas em todos os aspectos da criação

Esse princípio sugere que há princípios masculino e feminino presentes em tudo, sem se limitar a questões biológicas de gênero, mas sendo entendidos como qualidades ou energias arquetípicas que estão em operação em todos os níveis da existência.

O entendimento do Princípio de Gênero sugere que, para alcançar um equilíbrio completo, é necessário integrar e harmonizar as qualidades masculinas e femininas dentro de cada indivíduo e em todos os aspectos da vida. Na astrologia, é o que poderíamos chamar de equilíbrio entre as energias de Marte e Vênus.

Na tradição alquímica, o Princípio de Gênero está relacionado à busca pela Grande Obra, na qual a união alquímica dos princípios masculino e feminino (símbolos muitas vezes representados por Sol e Lua) leva à transmutação e à realização espiritual.

Entender e aplicar conscientemente o Princípio de Gênero pode levar a uma expansão da consciência. Isso envolve reconhecer e integrar as polaridades internas, promovendo uma compreensão mais profunda e holística da vida.

Depois de conhecer todos os 7 principios do Caibalion, é hora de praticar e integrar estes conhecimentos em nossa vida cotidiana. Reservam suas pérolas de sabedoria para os poucos que conhecem o seu valor e sabem traze-las nas suas coroas, em fez de as lançar ao porco vulgar, que as enterraria na lama.

Em qualquer lugar que se achem os vestígios do mestre, os ouvidos daqueles que estiverem preparados para receber o seu ensinamento se abrirão completamente.

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E assim, seguiremos juntas nesta busca de transformar chumbo em ouro.