Neste artigo, compartilho com você a cronologia dos principais baralhos de Tarot, desde seu surgimento até os dias atuais trazendo informações fundamentais para conhecer ainda mais sobre esta arte que auxilia milhares de pessoas diariamente há séculos.

Como a história do Tarot por si só é repleta de lacunas e informações conflituais, este artigo será atualizado constantemente conforme novas descobertas históricas forem sendo realizadas.

Caso você veja alguma informações desconexa, por favor, deixe um comentário e seguirei atualizando o artigo.

Confira aqui a cronologia de 1030 a 1944:

1030 | Chaturanga

Por volta do ano de 1030, na Índia, havia um jogo de tabuleiro chamado Chaturanga, que foi o antecessor do Xadrez. Este jogo contava com 4 reis e 4 cavaleiros e por isso alguns estudiosos acreditam que ele foi uma inspiração para a origem do Tarot.

Chaturanga

1127 – 1279 | Cartas Chinesas de Dominó

Por volta de 1127 e 1279, surge na China um jogo de cartas numeradas com imagens similares a um dominó: as Cartas Chinesas de Dominó. Há quem diga que elas podem ter sido uma inspiração para a criação do Tarot.

1377 | Cartas Sarracenas

Muitos historiadores acreditam na hipótese de que o Tarot tenha origem árabe, inspirado pelas Cartas Sarracenas, Cartas Mamlûk ou Mamelucas, que os guerreiros mamelucos jogavam. Algumas pessoas acreditam inclusive que a palavra “naipe” pode ter vindo do árabe naibe, mas não há nada que comprove nenhuma destas teorias.

Mamluk ou Cartas Sarracenas

1392 | Tarot de Gringonneur

Acredita-se que um dos decks europeus mais antigos é o Tarot de Gringonneur, de 1392 pintado para o Rei Carlos VI da França. Também conhecido como Tarot Charles VI (apesar de não ter relação com ele), esta obra-prima histórica do final do século XV foi feito em Ferrara para a família Estes.

Deste Tarot existem apenas 17 cartas, que estão hoje na Biblioteca Nacional da França.

Nas versões restauradas atuais, os Arcanos Menores, adicionados por Dworkin, foram inspirados nos afrescos do Schifanoia Palazzo, de propriedade da família Estes. Essas imagens são destacadas com folha de ouro.

Tarot Gringonneur
Referência: Thierry Depaulis, Tarot, Jeu et Magie, pp 40 – 41. Bibliothèque Nationale, 1984

Mais informações sobre este baralho: em Português aqui e em Francês aqui.

1412 – 1425 | Tarot Marziano

Um dos Tarots mais antigos. O Tarot Marziano foi citado em uma carta escrita em 1449 de Jacopo Antonio Marcello à rainha Isabel de Lorena. Paul Durrieu descobriu esta carta pela primeira vez em 1895 e o historiador Franco Pratesi trouxe um relato preciso desta carta à atenção dos historiadores de cartas de baralho em 1989. Em 2003, Ross Caldwell fez uma nova tradução.

O Tarot Marziano foi concebido por Marziano da Tortona e criado por Michelino da Besozzo em Malan entre 1412 e 1425. As cartas originais foram perdidas, mas o artista Robert M. Plant recriou um baralho baseado neste Tarot. As imagens para as cartas são baseadas nas descrições de Marziano e nas xilogravuras encontradas no século XV.

1440 | Visconti Sforza Tarocchi

O Visconti Sforza Tarocchi, de 1440, foi pintado para o Duque de Milão para Francisco Sforza. Por muito tempo este baralho foi atribuído ao artista Bonifácio Bembo. Hoje, o nome de Francesco Zavattari aparece em textos de pesquisadores por sua similaridade com outras obras do mesmo artista.

Por ter sido pintado à mão e, por ser uma obra de arte, pôde ser preservado até os dias atuais. Há 72 cartas conservadas que pertenceram à família Visconti. Estas cartas foram conservadas por terem uma melhor qualidade do que o tarot impresso.

Ele conta com cópias incompletas em museus em Nova Iorque e da Itália. As únicas cartas que se perderam foram o Diabo, a casa de Deus (a Torre), o 3 de espadas e o Cavaleiro de Ouros.

Veja The Morgan Museum

1470 – 1485 | Tarot de Mantegna

Apesar de ser entitulado tarot, trata-se na verdade de um conjunto de gravuras italiana que também não foram uma criação de Mantegna. Inicialmente, ele foi considerado um jogo, iniciático, enciclopédico ou ainda um passatempo.

O Tarot de Mantegna conta com cinqüenta estampas numeradas em cifras romanas e arábicas, intituladas num dialeto próximo aos de Veneza e Ferrara, dividido em cinco séries de dez figuras cada.

Entre os exemplares conservados, dos quais nove estão completos, nenhum chegou colado a um papel forte ou cartolina e quatro deles estão montados sob a forma de livro.

1889 | Tarot dos Boêmios

Criado por Papus, nome iniciático de Gérard Anaclet Vincent Encausse  (1865 –1916), um médico espanhol, escritor, cabalista, maçom e ocultista pertencente à Rosa Cruz que viveu boa parte de sua vida na França. Na época em que criou o Tarot dos Boêmios, Papus tinha grande influência de conhecimentos judaicos, incluindo a Cabala.

Em seu livro, ele atribui as origens do Tarô na Europa aos ciganos, criticando antigas sociedades maçônicas, por terem perdido ou ignorado este conhecimento. “Esse jogo de cartas chamado Tarô que os boêmios possuem… é o livro de Thot Hermes Trimegisto, é o livro de Adão, é o livro da revelação original das antigas civilizações“.

O Tarot de Papus utiliza as quatro letras do alfabeto hebraico para a distribuição de suas cartas.

1944 | Tarot de Marseille

Acredita-se que o primeiro Tarot de Marseille, da maneira conhecemos hoje, é obra do mestre Jean Noblet. Este baralho teve origem na França, em Paris (e não em Marseille como muitas pessoas imaginam), no final do século XVII.

A denominação Tarot de Marseille apareceu pela primeira vez em 1856 em um artigo publicado por Romain Merlin, que foi um grande estudioso do Tarot. Mas foi só em 1930, quando Paul Marteaul publicou o antigo Tarot de Marseille que ele começou a ficar famoso e ganhou espaço na França.

A partir do Renascimento o tarot ganha cada vez mais força dentro da nobreza Italiana, indo de Milão a Florença, passando também por Roma. As cartas de tarot a partir deste momento tornam-se magníficas obras de arte, verdadeiros tesouros de ilustrações coloridas e iluminadas.

O tarot deste período carrega uma forte marca familiar onde vemos inclusive brasões de famílias estampados nas cartas, diferenciando-os entre si.

Em 1997, Alejandro Jodorowski publicou junto com Philippe Camion um tarot de Marseille restaurado por computador a partir de cartas antigas.

1910 – Raider-Waite-Smith

Nesta época surge no coração da Inglaterra a Ordem Hermética da Golden Dawn, uma ordem mágica dedicada ao crescimento espiritual e iluminação através de rituais. É nela que Arthur Edward Waite conhece Pamela Coleman Smith e, juntos,  criam o primeiro baralho de Tarot moderno: o baralho de Raider-Waite-Smith, em 1910.

O Tarot Raider-Waite-Smith é considerado hoje o mais famoso e conhecido do mundo e por isso tem grande importância nesta cronologia.

1912 | Cagliostro Tarot

Publicado pela primeira vez na Itália em 1912, pelo ocultista italiano Alessandro Cagliostro (1743–1795) ou Giuseppe Balsamo, seu nome de batismo.

O Tarot de Cagliostro ilustrou os arcanos maiores e também os menores. O baralho tem uma forte conexão astrológica e cada carta tem um símbolo celestial correspondente. O ocultista Aleister Crowley acreditava que Cagliostro era uma de suas encarnações anteriores.

Link no Wikipedia.

1944 | Thoth Tarot ou Livro de Thoth

Criado por Aleister Crowley com desenhos de Lady Frieda Harrys, o tarot de Thoth baseia-se na filosofia de Thelema.

As ilustrações do baralho apresentam simbolismo baseado na incorporação de imagens de Crowley de muitas disciplinas, incluindo ciência e filosofia e vários sistemas ocultistas.

Referência: Crowley, Aleister (1974a). The Book of Thoth: A Short Essay on the Tarot of the Egyptians. Illustrated by Frieda Harris. Samuel Weiser, Inc

Vale lembrar que a conologia continua e que até hoje inúmeros novos baralhos de tarot são criados regularmente.

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