A criação do mundo é uma questão que transcende disciplinas e culturas, refletindo a busca humana por entender a origem e o significado da nossa existência.

Cada perspectiva, seja científica, religiosa ou filosófica, oferece uma visão única e valiosa sobre como o universo e a vida surgiram. Essas narrativas ajudam a moldar nossas crenças, valores e compreensão do lugar do ser humano no cosmos. Estudar essas diferentes perspectivas proporciona pra gente uma visão mais rica e abrangente do mundo e nos ajuda a apreciar a diversidade de respostas humanas a uma das perguntas mais fundamentais da existência.

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Religião e a criação do mundo


No relato bíblico do Gênesis, Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo.

Sua criação inclui a separação da luz e das trevas, a formação dos céus e da terra, a criação das plantas e dos animais, e finalmente a criação do homem e da mulher.

Já o Alcorão narra a criação do mundo por Alá, enfatizando o poder e a sabedoria divina em criar o universo e tudo o que nele existe.

Alá é descrito como o criador que cria ex nihilo, ou seja, a partir do nada. Ele simplesmente diz “Seja” (Kun) e a criação ocorre.

Filosofia e a criação do mundo

Já quando falamos sobre a criação do mundo sob o viés filosófico, Platão propôs que o mundo sensível é uma cópia imperfeita do mundo das formas ou ideias eternas e perfeitas.

No diálogo “Timeu” de Platão, o Demiurgo é descrito como um artesão divino que modela o universo a partir de uma matéria preexistente e caótica.

Platão retrata o Demiurgo como uma figura benevolente e racional que organiza o cosmos de acordo com as formas eternas e perfeitas, que são as ideias ou modelos imutáveis do mundo sensível.

O objetivo do Demiurgo é criar um universo harmonioso e ordenado, refletindo as perfeições das formas.

Na filosofia taoísta, o universo surgiu a partir do Tao, o princípio fundamental que é a fonte de tudo e a lei última de todas as coisas. O Tao deu origem ao yin e yang, cujas interações dinâmicas geraram o mundo e todas as suas formas.

Yin e Yang são conceitos fundamentais da cosmologia chinesa que representam a dualidade e a interdependência de forças opostas e complementares no universo.

Eesses conceitos são usados para descrever como forças opostas estão inter-relacionadas e interdependentes no mundo natural, e como elas se dão origem e se transformam umas nas outras.

Yin é frequentemente associado à escuridão, passividade, frieza, suavidade, introspecção, e aspectos femininos. E Yang, por outro lado, está associado à luz, atividade, calor, dureza, extroversão, e aspectos masculinos.

Mitologia e a criação do mundo

Já quando a gente entra no universo da mitologia, há uma riqueza de histórias a serem compartilhadas.

Mitologia Hindu

Na mitologia hindu, há várias versões da criação do mundo. Uma delas envolve o deus Brahma, o criador, que emerge de um lótus que brota do umbigo de Vishnu, e que então cria o universo.

Mitologia Grega

Na mitologia grega, não existe um único mito padronizado da criação do mundo, mas existem várias versões e interpretações, algumas das quais são apresentadas pelos poetas antigos, como Hesíodo.

Hesíodo foi um poeta grego antigo, conhecido por ser um dos mais importantes poetas da Grécia Arcaica. Ele é famoso por suas obras “Teogonia” e “Os Trabalhos e os Dias”.

A “Teogonia” é um poema épico que descreve a origem e a genealogia dos deuses gregos, começando com o caos primordial e narrando a ascensão ao poder dos principais deuses olímpicos, como Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Apolo, entre outros.

Para Hesíodo, o mito grego começa com o Caos, uma entidade primordial que representa o vazio inicial, a ausência de ordem e forma.

A partir do Caos, surgem Gaia (a Terra) e Urano (o Céu). Gaia e Urano se unem e geram os doze titãs, incluindo Cronos, Reia, Oceano e Tétis, os três ciclopes e os hecatônquiros que são seres com cem braços e cinquenta cabeças.

Cronos, um dos titãs, lidera uma rebelião contra Urano, castra-o com uma foice e se torna o governante dos titãs. A Titanomaquia que é a guerra entre titãs e olímpicos acontece e os deuses olímpicos liderados por Zeus vencem os titãs.

Com a vitória dos deuses olímpicos liderados por Zeus, eles estabelecem seu domínio sobre o universo. Zeus se torna o deus supremo, e os doze deuses olímpicos governam o Monte Olimpo.

Mitologia Romana


Já na mitologia romana, uma narrativa sobre a origem do mundo é encontrada nas obras do poeta romano Ovídio.

Ovídio, cujo nome em latim é Publius Ovidius Naso, foi um dos mais renomados poetas romanos da Antiguidade Clássica. Ele nasceu em 20 de março de 43 a.C. e faleceu por volta de 17 ou 18 d.C. Ovídio é mais conhecido por suas obras poéticas, sendo a mais famosa”Metamorfoses”.

“Metamorfoses” é uma obra épica em 15 livros que conta uma série de mitos, todos centrados na ideia da metamorfose ou transformação. Ovídio aborda uma grande variedade de histórias, desde a criação do mundo até a época imperial romana. Seu trabalho é uma das mais importantes fontes para a mitologia clássica.

Nesta obra, Ovídio descreve um mito conhecido como a “Idade de Ouro” (Golden Age), que serve como uma espécie de paradigma para a criação inicial do mundo e uma era de perfeição.

Ovídio descreve que, na Idade de Ouro, a humanidade foi criada diretamente da terra, sem problemas ou conflitos.

Antes que a Terra, o mar e o céu tivessem sido criados, todas as coisas tinham um único aspecto chamado CAOS – uma massa confusa e disforme, nada além do peso morto, no qual repousavam as sementes de todas as coisas.

Terra, mar e ar misturavam-se na mesma substância ; de modo que a terra não era sólida, o mar não era liquido, o ar não era transparente.

Deus e a natureza finalmente se interpuseram, pondo um fim a essa discórdia, separando a terra do mar, e o céu de ambos.

A parte abrasada por ser a mais leve, espalhou-se e constutiu o firmamento, o ar foi o próximo em peso e localização.

A terra, sendo mais pesada, desceu e a agua alojou-se no nível inferior fazendo-a boiar.

Nesse ponto, algum Deus que não se sabe qual, decidiu organizar a bagunça e dispor a Terra. Ele escolheu os lugares em que ficariam os rios e as baías, elevou as Montanhas, cavou os vales, distribuiu as florestas, as Fontes, os Campos férteis e as planícies rochosas.

Quando o ar clareou, as estrelas começaram a aparecer. Os peixes se apossaram do mar, os pássaros tomaram o ar e as bestas de 4 patas dominaram a Terra.

Um animal mais nobre era desejado e assim o homem foi feito. Prometeu era um dos Titãs, uma raça de gigantes que habitavam a Terra antes da criação do homem e foi ele que tomou um pouco dessa Terra. Modelando a com a água fez o homem a imagem dos deuses e deu a ele uma postura ereta (a gente já viu essa história, certo?).

Quem fez a mulher foi Júpiter. E ela se chamava Pandora. Pandora foi feita no céu e cada Deus contribuiu com algo para aperfeiçoá-la. Vênus deu-lhe a beleza, Mercúrio, a persuasão, Apolo, a música.

O mundo foi então povoado. Prometeu também roubou o fogo dos deuses para dar aos humanos, proporcionando-lhes conhecimento e civilização.

Nesse mundo, as pessoas viviam em harmonia com a natureza e não precisavam trabalhar ou enfrentar adversidades.

Durante esse tempo, não havia violência, doenças ou envelhecimento. As estações eram suaves e a terra produzia abundantemente sem esforço excessivo.

O mito de Ovídio se segue e nos períodos subsequentes tivemos a Idade de Prata, a Idade de Bronze, a Idade dos Heróis e a Idade de Ferro que foi marcada pela decadência e pelo aumento das dificuldades para os seres humanos.

Conhecer sobre estas perspectivas científicas, religiosas ou filosóficas, nos ajuda a compreender como as antigas sociedades entendiam o universo e o papel dos deuses e dos seres humanos dentro dele.

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