Se tem algo que me encanta é conectar diferentes crenças com o Tarot. 

Na tradição cristã, no dia 23 de julho, comemora-se o dia de João Cassiano (em latim: Jo(h)annes Eremita Cassianus ou Giovanni Cassiano em Italiano, um dos padres do deserto.

Padre João Cassiano – Imagem: Wikipedia

Este grande mestre espiritual viveu entre os séculos IV e V d.C. e sua doutrina rica em metafísica o tornou um verdadeiro gigante da consciência e do amor. 

Sua missão primordial foi trazer para a Europa, através da Provença, os princípios tradicionais transmitidos pelos Padres do deserto do Egito, com os quais viveu longos anos de sua vida.

Os Padres do deserto, a quem João Cassiano pertenceu, desempenharam um papel crucial como ligação entre o ensinamento egípcio do passado e o cristianismo que se seguiria. 

Suas comunidades eremíticas foram guardiãs dos ensinamentos originais do cristianismo, preservando saberes profundos.

Eremita por excelência, Cassiano deixou um legado poderoso e duradouro. 

No Tarot, a carta do Eremita  representa a busca interior, o autoconhecimento e a sabedoria espiritual. O Eremita é retratado como uma pessoa que se retira do mundo exterior para buscar a verdade interior e a iluminação espiritual. Ele segura uma lanterna para iluminar seu caminho e simboliza a busca pela sabedoria escondida dentro de si mesmo.

A Carta do Tarot do Eremita – Baralho Rider Waite Smith

A conexão entre João Cassiano e a carta do Eremita reside na busca espiritual e no desejo de encontrar significado e verdade em um mundo interior. Ambos representam a jornada do indivíduo em direção à iluminação e ao entendimento profundo de si mesmo e do mundo ao seu redor.

Por volta de 415 a 435 d.C, Cassiano fundou a Abadia de São Vítor em Marselha, próximo a um local de culto ancestral, como evidenciado pelos artefatos encontrados em suas criptas. 

É nessa abadia que encontramos a mais antiga citação sobre jogos de cartas, datada de 1337, proibindo jogos como “Pagina” (que significa cartas em latim).

“Quod nulla persona audeat nec praesumat ludere ad taxillos nec ad paginas nec ad eyssychum.” 

(Que ninguém se aventure ou se dedique a jogar dados, cartas ou xadrez)*.

Essa conexão nos leva a refletir sobre o Tarot, e em particular o Tarot de Marselha, que pode ser considerado um guardião desse ensinamento egípcio-cristão. 

Por meio de uma tradição iconográfica aparentemente lúdica, o Tarot atravessou diferentes épocas, presenteando-nos hoje com uma sabedoria atemporal.

Que a gente possa nos conectar com essa herança ancestral e encontrar nas cartas o caminho para a sabedoria e a verdade interior. 

Quando falamos sobre o tarot, há certamente mais mistérios do que respostas e mais uma porta se abre ao conhecermos a história de João Cassiano. 

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*Du Cange “Glossarium mediae et infimae latinitatis” (1678).