Between languages

🇨🇦 For many years, I thought I was trying to find my voice, not knowing it was always in the same place. I changed country, I learned a new language, I left two others. I have considered language as a garment that you lose the taste for using, but you do not know what to do with it. Me, a Brazilian writer, in Montreal. I spent four years trying to find my voice. I started with French, Plateau, and “Bonjour”, which quickly revealed where I come from when I force, with tenderness, the sound of the letter R during which I speak. Latina. I left the other side of Saint-Laurent street. I felt even more lost. The words that had always been part of my vocabulary hid somewhere in my brain. No matter what effort I made, I did not know where to find them. I could speak French or English. No matter the language, the sentences were no longer complete. Everything was mixing in my head. There was always a gap. An empty room. A hole. Me: empty. Can I live between two languages? Among them ? Why did I have to choose one out of two, if my mother tongue, which I was always used to expressing, was neither one nor the other? Me, who always bothered with a small mistake in the Portuguese language, would I be open to being corrected all the time by someone who did not even speak my language? I found that my inner conflict seemed weak compared to the place of bilingualism in Quebec. But that was not my goal. I became the epicenter of the conflict myself. A metaphor for my province. What way to go if all I wanted to do was just … write? Where do I start this new trip, if all roads lead me to square one? The words mingled in my head so that I had to extinguish what I was feeling. And it was not me who decided what language to write. I was an overwhelming barrage in all languages.

🇧🇷 Por muitos anos, eu achei que estava tentando encontrar minha voz, sem saber que ela sempre esteve no mesmo lugar. Mudei de país, aprendi uma nova língua, deixei outras duas. Eu considerei o idioma como uma roupa que você perde o gosto por usar, mas não sabe exatamente o que fazer com ela. Eu, escritora brasileira, em Montreal. Passei quatro anos tentando encontrar minha voz. Comecei com o francês, pelo Plateau e pelo “Bonjour”, que rapidamente revelava de onde eu vinha cada vez que forçava, com ternura, o som da letra R durante a fala. Latina. Parti para o outro lado da Saint-Laurent. E me senti ainda mais perdida. As palavras que sempre fizeram parte do meu vocabulário se escondiam em algum lugar do meu cérebro. Não importava o esforço que fizesse, não sabia onde encontrá-las. Eu poderia falar em francês ou inglês. Não importa a língua que escolhesse, as sentenças não estavam mais completas. Tudo estava misturado na minha cabeça. Sempre havia uma lacuna. Um quarto vazio. Um buraco. Eu: vazia. Poderia eu morar no meio de dois idiomas? Entre eles ? Por que tenho de escolher um de dois, se a minha língua materna, com a qual eu sempre costumava me expressar, não era nem uma nem outra? Eu, que sempre me incomodei com um pequeno erro na língua portuguesa, estaria aberta a ser corrigida o tempo todo por alguém que nem falava a minha língua? Descobri que meu conflito interno parecia fraco em comparação com o lugar do bilinguismo no Quebec. Mas esse não era meu objetivo. Eu mesma me tornei o epicentro do conflito. Uma metáfora para minha província. Que caminho percorrer se tudo que eu queria fazer era apenas … escrever? Por onde começar esta nova viagem, se todas as estradas me levam à estaca zero? As palavras se misturavam na minha cabeça, de modo que eu tinha que colocar para fora o que estava sentindo. E não fui eu quem decidiu em que idioma escrever. Eu era uma represa sobrecarregada de todas as línguas.

🇫🇷 Pendant de nombreuses années, j’ai pensé que j’essayais de trouver ma voix, sans savoir qu’elle était toujours au même endroit. J’ai changé de pays, j’ai appris une nouvelle langue, j’en ai laissé de côté deux autres. J’ai considéré la langue comme un vêtement que vous perdez le goût d’utiliser, mais dont vous ne savez pas quoi en faire. Moi, une écrivaine brésilienne, à Montréal. J’ai passé quatre ans à essayer de trouver ma voix. J’ai commencé avec le français, le Plateau, et le « bonjour », qui rapidement révélait d’où je viens quand je force, avec tendresse, le son de la lettre R pendant qui je parle. Latina. Je suis parti de l’autre côté de la rue Saint-Laurent. Je me sentais encore plus perdu. Les mots qui avaient toujours fait partie de mon vocabulaire se cachaient quelque part dans mon cerveau. Peu importe l’effort que je faisais, je ne savais pas où les trouver. Je pourrais parler français ou anglais. Peu importe la langue, les phrases n’étaient plus complètes. Tout se mélangeait dans ma tête. Il y avait toujours un écart. Une pièce vide. Un vide. Moi : vide. Pourrais-je vivre entre deux langues ? Parmi eux ? Pourquoi ai-je dû en choisir un sur deux, si ma langue maternelle, que j’avais toujours l’habitude de m’exprimer, n’était ni l’une ni l’autre ? Moi, qui me dérangeais toujours avec une petite erreur dans la langue portugaise, serais moi ouvert à être corrigé tout le temps par quelqu’un qui ne parlait même pas ma langue ? J’ai trouvé que mon conflit intérieur semblait faible comparativement à la place du bilinguisme au Québec. Mais ce n’était pas mon objectif. Je suis devenu moi-même l’épicentre du conflit. Une métaphore pour ma province. Quel chemin suivre si tout ce que je voulais était simplement… écrire ? Où commencer ce nouveau voyage, si toutes les routes me conduisent à la case départ ? Les mots se mêlaient dans ma tête de telle sorte que je devais éteindre ce que je ressentais. Et ce n’était plus moi qui décidais quelle langue écrire. J’étais un barrage débordant dans toutes les langues.