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Letícia Tórgo

Minha infância no Brasil foi cadenciada pelo fechar das malas feitas e desfeitas por meus pais. Durante sua ausência, era nos livros que eu buscava companhia. Aos poucos, comecei a escrever em diários com pequenos cadeados dourados. Naquelas páginas descobri que podia escrever os sentimentos que não falava para ninguém. Ser uma escritora tornou-se o meu destino.

Se por um lado, eu cresci mostrando a imagem de uma mulher forte e independente, era nos meus textos que colocava toda a fragilidade que havia em mim. Meu primeiro livro, “Uma Janela Para Nove Irmãos”, publicado em 2013 no Brasil, conta a história de minha avó narrada pela casa onde ela viveu. Em 2014, como para preencher as lacunas da minha infância, eu escrevi um espetáculo de teatro e livro infantil que fala da ausência dos pais, intitulado “O Príncipe dos Porquês”. No mesmo ano, saí do Brasil e fui morar no Canadá. Neste novo país, busco a coragem para finalmente dar voz a coisas que habitam meu mundo interior, agora em francês.


Letícia Tórgo é gestora cultural, escritora e tradutora.

Como gestora cultural, fundou a Dans le Tiroir em janeiro de 2018, a versão canadense da empresa “Da Gaveta” que administrou no Brasil durante oito anos. Seu foco é a produção de espetáculos de teatro, dança contemporânea e consultoria para artistas. No teatro, Letícia produziu os espetáculos canadenses “SIRI”, apresentado no Brasil em 2017 e “Aalaapi”, atualmente em cartaz no Centre du Théâtre d’Aujourd’hui. Foi diretora de produção dos espetáculos de dança “Crying in Public” (2018), de Tedi Tafel, “She Wanted” (2019), de Sarah Bild (em cartaz) e atualmente administra as companhias de dança “Andrea Peña & Artists” (2018-2019) e “Je suis Julio” (2019). Letícia também é coordenadora de produção do festival de teatro infantil “Les Coups de Théâtre” desde setembro de 2018.

Como tradutora, realiza a tradução francês-português de peças de teatro de autores contemporâneos do Québec. Em 2017, assinou a versão do espetáculo de teatro SIRI, de Laurence Dauphinais et Maxime Charbonneau na Glassco Translation Residency em Tadoussac. Em 2018, traduziu o espetáculo infantil Petite Sorcière, de Pascal Brullemans, a ser apresentado no Brasil em 2019 no Festival Internacional de Linguagem. Atualmente, está traduzindo o texto Ce qui nous avons fait, também de Pascal Brullemans.

Como autora, escreveu a peça de teatro Somos Ici, com Florence Bobier, em 2016. O espetáculo foi produzido pelo LatinArte em comemoração aos 375 anos de Montréal. Em 2017, foi selecionada para o mentorado do Black Theater Workshop, onde escreveu o espetáculo de teatro Disquiet, em inglês. Em 2018, seu texto Saudade, em francês, foi selecionado para o festival de Teatro Tout’tout Court. Atualmente, está escrevendo o livro Entre les langues, selecionado para o mentorado do MAI – Montréal Arts Interculturels e para a Bolsa Montréal en Vitrine do Conseil des Arts de Montréal. Também está cursando um Certificado em Criação Literária na UQAM.