Glassco Translation Residence: Day #3

La nuit tombe à Tadoussac. Après une douche chaude, je descends les escaliers pour mettre le mot de passe WiFi sur mon kindle. Le silence entrecoupé par le bruit de l’horloge « coucou » et le grincement de planches de l’escalier me donne le sentiment que tout le monde dort. Au premier étage, dans tous les coins de la maison, chacun est dans sa propre bulle littéraire, que ce soit dans toutes les langues. Les auteurs et les traducteurs dévorent les lettres du clavier, chacun en son temps. Briony croise mon chemin en disant « doux rêves pour toi ». Et je vois déjà son sourire dans le matin en me demandant, comme tous les matins, « avez-vous bien dormi? ». Je ne sais pas encore s’il est redondant la phrase « avez-vous bien dormi? », ou « doux rêves pour toi » dans un endroit comme celui-ci. Ou suis-je encore redondant de dire que tout cela me semble irréel ici?

Glassco Translation Residence: Day #2

Dia 2.

Acordei em Tadoussac.

Não era um sonho.. apesar de ter tido muitos ao longo da noite.

No caminho entre a sala e a cozinha, me perguntam o que achei da cama.

Tive vontade de utilizar adjetivos em português para dizer como estava feliz, mas não queria parecer uma criança.

Eu me sentia uma criança.

Quando você acorda, por mais poliglota que acredite ser, os adjetivos em outros idiomas ainda dormem em algum lugar da sua cabeça.

À minha frente, uma praia de rio.

Aqui, a palavra “praia” ganha novos sentidos.

E tudo bem.

Fui caminhar na areia.

Molhei os pés.

Percebi que a cada 8 segundos, os ossos começavam a doer.

Precisava tirar os pés da água.

E depois voltar.

Vi focas.

Voltei para o que chamo de “lar”.

Limão com água quente.

Um café forte.

Pão com manteiga. Nem esquentei.

Escolhi a melhor vista da “praia”.

Uma cadeira de balanço, duas almofadas sobre as pernas e meu laptop.

Hora de começar a tradução…

…e de olhar vez ou outra pela janela.

Parece surrealismo, mas, aqui, uma baleia pode cruzar seu caminho enquanto você digita.

Glassco Translation Residence: Day #1

Tadoussac. First day at “Glassco Translation Residence”. It is like if I came from an unrealistic journey since the moment I left Montreal, this morning, in a train, till this very moment where I am in “my” lovely room writing down this text.

This is not a house. It can’t be. This is one of my dreams coming true where we see lots of books (even in the bathroom), a garden, boats from the window, a stair made of wood, a sound of a cuckoo on the wall telling me time goes by, a dinner with wine and writers on every corner of the house. If it is not a dream, please, keep me awake.

Here I am, loving each moment, each corner, each detail… And do you know what? It’s been only 5 hours I arrived here… and I’ll spend ten days!

Sorry if I don’t come back… but I’ve just found my place.